Como reagir a vazamentos em instituições bancárias?

Problemas em fintechs desesperam usuários, mas é essencial ter calma e agir com cautela

Vazamento em bancos.jpg

Todo e qualquer tipo de vazamento de dados é perigoso, mas a situação atinge outro patamar quando as vítimas são os clientes de uma instituição bancária. Afinal, por mais antiético que tal afirmação possa parecer, valores monetários são um dos bens mais preciosos de qualquer cidadão — saber que um criminoso é capaz de colocar as mãos em suas economias é algo que pode desesperar até mesmo o mais calmo dos indivíduos.

Nesta sexta-feira (4), tivemos um exemplo perfeito desse tipo de caos: o site TecMundo teve acesso a um documento de 40 GB contendo dados sigilosos de milhares de clientes do Banco Inter, uma fintech (startup da área de finanças) considerada pioneira no mercado de bancos 100% digitais. O arquivo em questão foi concedido por um hacker que conseguiu acessar os sistemas da instituição e provar que eles eram vulneráveis.

As informações vazadas incluem nome, endereço, cópias digitalizadas de documentos de identificação, comprovantes de residência, senhas diversas e logs de transações bancárias. Embora o Banco Inter tenha inicialmente negado as acusações, o vazamento foi confirmado depois que o jornal em questão entrou em contato com alguns clientes cujos dados integravam o documento compilado.

Para piorar a situação, nesta mesma sexta-feira, o Banco Central (Bacen) determinou a liquidação extrajudicial do Banco Neon, outra fintech que fazia bastante sucesso. O órgão afirma ter identificado “graves violações às normas legais e regulamentares que disciplinam a atividade da instituição”. Tanto o aplicativo da empresa quanto seu site oficial pararam de funcionar; os clientes se viram impossibilitados de usar o cartão de crédito, restando apenas a opção de usar o débito para compras e saques em terminais 24 horas.

 

Medidas preventivas

 

É difícil prever o que acontecerá a partir de agora, mas existem algumas atitudes que você pode tomar para evitar maiores dores de cabeça. Ao ser vítima de um vazamento dessa magnitude, a primeira coisa a se fazer é, naturalmente, trocar a senha utilizada no sistema bancário. Caso você utilize a mesma password em outros serviços (sejam eles financeiros ou não), também é aconselhável atualizar cada credencial individualmente.

Mesmo com a senha alterada, especialistas sugerem que os clientes cancelem seus cartões de crédito, visto que eles também costumam vazar na web quando uma instituição de tal porte é atacada e podem ser clonados. Em último caso, os mais radicais podem preferir sacar todas as economias armazenadas no serviço e fechar sua conta de vez; trata-se de uma postura aceitável e compreensível.

No caso do Neon, é importante explicar que a liquidação extrajudicial afeta o Banco Neon S.A., e não a Neon Pagamentos S.A. — são duas empresas distintas. A primeira, originalmente conhecida como Pottencial, estava na mira do Bacen há tempos e não possui participação acionária na fintech, sendo responsável apenas pelas operações de crédito; já a segunda é efetivamente a startup que conhecemos e administra todo o resto do serviço.

Sendo assim, é bem provável que o site e o aplicativo do Neon estejam fora do ar para a aplicação de mudanças emergenciais, visto que as duas sociedades vão se separar a partir de agora. O dinheiro dos clientes, em tese, se mantém seguro, mas ainda assim o saque é recomendado. Por enquanto, na necessidade de utilizar sistemas eletrônicos de pagamento, o mais sensato é apelar para outras alternativas disponíveis no mercado, como o PicPay, o Conta UM e o Nubank.

 

Informação é poder

 

Segurança da informação é um assunto delicado, e, na luta contra o cibercrime, a melhor arma que temos é o conhecimento — é importantíssimo que todos da sua empresa saibam como se proteger e tenham noções básicas sobre como enfrentar situações de risco. A missão da Flipside é justamente essa: educar o usuário, que é o agente mais importante para uma estratégia de segurança bem-sucedida.

 

Fontes: InfoMoney, TecMundo