Será que a CIA está mesmo de olho?

Relatório mostra que a agência de inteligência faz uso de ferramentas que podem espionar qualquer pessoa. Será que é possível se proteger?

 

 

Há alguns dias, a plataforma Wikileaks divulgou mais um vazamento de informações governamentais. Porém, dessa vez, é algo que envolve a vida de todo mundo, seja ela política ou não. O documento anunciou que a agência de inteligência norte-americana, a CIA, vem utilizando ferramentas de espionagem cibernética, capazes de de vigiar qualquer um, em qualquer país.

Está certo que não é de hoje que especulações são criadas sobre o quanto os Estados Unidos e seus órgãos governamentais podem ter acesso às informações de diferentes pessoas, em prol de sua própria segurança. Teorias da conspiração, filmes, documentários, livros e outros materiais vira e mexe estão focando nesse assunto.

E esse anúncio da plataforma do Julian Assange é mais uma prova desse poder. O comunicado divulgado detalha como eram as estratégias para invadir smartphones iOS ou Android, computadores, roteadores e, inclusive, smart TVs. Intitulado de “Vault 7”, o material expõe mais de 8 mil arquivos, sendo o “maior vazamento de documentos oficiais” da CIA.

Quem poderá nos defender?

Para conseguir realizar suas espionagens, a agência  criou uma plataforma de malwares, gerando ataques e invadindo diversos sistemas de computadores. Também tem a capacidade de acessar os celulares e controlar seus softwares. Tudo isso, ainda, unido ao fato de que ela explora falhas de segurança chamadas de “tipo zero”, que são aquelas desconhecidas pelos fabricantes.

Mas, o que mais surpreende, é o fato de  que o órgão poder ter a capacidade de ouvir conversas de dentro dos lares, por meio dos microfones integrados em televisões inteligentes. Sem contar a especulação de que há a chance de eles infectarem sistemas de controle de veículos autônomos. O que, como aponta o relatório, poderia até matar pessoas.

Ou seja, não é a toa que muitas pessoas ficaram preocupadas, quando o relatório foi divulgado. Afinal, esses fatos expõem muito mais do que invasão de privacidade, o que já é grave. Mas será que podemos nos defender de tais invasões?

No caso dos smart televisores, a CIA consegue acessar o microfone através de uma forma chamada de “falso desligado”, na qual o aparelho parece não estar funcionando, mas no fundo está coletando dados - nessa situação, as conversas. Uma forma de obtenção de informações, que as próprias fabricantes já utilizam para saber o uso de cada usuário e é possível bloquear esse tipo de acesso, bastando pesquisar nas configurações de cada aparelho.

Outra recomendação é tampar as câmeras das TVs, computadores e, se possível, até de celulares. Antes mesmo desse documento divulgado, já houve alguns casos de pessoas que tiveram suas smart TVs invadidas por criminosos, que gravaram suas intimidades e depois cobraram pelos vídeos, na condição de expor as vítimas.

Entretanto, não há muito o que fazer nessa era de diversos dispositivos conectados. Em uma entrevista concedida ao jornal britânico Daily Mail, Robert M. Lee, ex-oficial de operações cibernéticas dos EUA e CEO da empresa de segurança cibernética Dragos, disse que qualquer coisa ativada por voz e que se conecte à Internet está suscetível a esse tipo de ataque. A solução seria, então, desconectar essas tecnologias da rede e remover suas baterias, se possível. Ações, realmente, complicadas nos dias de hoje.

Você pode ter acesso ao relatório do Wikileaks na íntegra no site: https://wikileaks.org/ciav7p1/index.html#PRESS